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Saúde Mental
Estudo liga gene a esquizofrenia
O Estado de São Paulo (SP)
> Vida
02 de julho de 2009
450 variações elevariam em 1/3 risco de ter a doença
Quase meio milhar de pequenas variações genéticas seriam responsáveis por ao menos um terço do risco de desenvolvimento de esquizofrenia. É a conclusão de três estudos publicados ontem pela revista científica britânica Nature.
A esquizofrenia é uma doença psiquiátrica que afeta aproximadamente 1% da população mundial. Manifesta-se por meio de episódios agudos de psicose que podem incluir alucinações e delírios. Além disso, apresenta diversos sintomas crônicos como transtornos afetivos, intelectuais e psicomotores. É considerada hereditária em ao menos 70% dos casos.
Uma parte da pesquisa, realizada com cerca de mil pacientes, sugere também a existência de raízes genéticas comuns entre a esquizofrenia e o transtorno maníaco-depressivo, também conhecido como transtorno bipolar.
CROMOSSOMO 6
A análise dos resultados dos três trabalhos, que utilizaram conjuntamente uma amostra de 8.014 pessoas com esquizofrenia e outras 19.090 pessoas não acometidas pela doença, ressalta em particular uma área do cromossomo 6 conhecida por ter genes vinculados à imunidade e às infecções. Também foram analisados genes que intervêm no controle da ativação ou desativação dos outros genes.
Essa associação poderia explicar como fatores do contexto em que a pessoa vive afetam os riscos de desenvolvimento de esquizofrenia, segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH).
"Individualmente, essas variações correntes não implicam diferenças significativas, mas, acumuladas, têm um papel maior e respondem por no mínimo um terço - e provavelmente muito mais - do risco de se desenvolver a enfermidade", comenta Shaun Purcell, do Consórcio Internacional de Esquizofrenia.
Mais de 450 variações na zona suspeita do cromossomo 6 e uma área do cromossomo 22 figuram entre os locais genéticos que mostram vínculos mais intensos com a esquizofrenia.
O grupo SGENE, que também se dedica à investigação genética sobre a esquizofrenia, também apontou uma associação significativa entre as variações nos cromossomos 11 e 18 que poderiam contribuir para a elucidação científica do déficit de atenção (TDAH, ou Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) e das falhas de memória.
A empresa deCODE genetics e o grupo Molecular Genetics of Schizophrenia (MGS) são coautores dos estudos publicados ontem.
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