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Álcool e drogas
Desafio do crack
O Globo (RJ)  > Opinião

16 de fevereiro de 2010

Há bem mais tempo que os cariocas, os paulistanos conhecem o efeito devastador do crack, subproduto no processo de produção da cocaína, algo como um refugo. Mais tóxicas que a própria droga final, as pedras pretas passaram a ser fumadas por meninos de rua, mendigos e sem-teto, em geral no centro antigo de São Paulo, em alguns quarteirões de uma região batizada depois de "cracolândia".

As primeiras apreensões da droga foram feitas no início da década de 90, e logo pôde ser constatado o efeito devastador das pedras: tornam a pessoa viciada instantaneamente, e o seu consumo passa a ser cada vez mais frequente porque fumá-las é a única maneira de evitar profundas depressões.

A droga tem ainda alto poder de dissocialização: impede trabalho, estudo e convívio familiar.

Consta que o tráfico da região metropolitana carioca impedia a entrada do crack, para preservar a clientela. Diante do poder da droga, o usuário costuma ter vida curta. Mas o crack chegou ao Rio e também a várias outras cidades.

Em Maceió, segundo o Ministério Público Estadual, como publicado em reportagem do GLOBO no domingo, dia 7, 30% dos alunos da rede pública do estado, entre 10 e 20 anos de idade, estão ligados ao tráfico e/ou consomem crack. Já em Salvador, conforme o Programa de Redução de Danos da Universidade Federal da Bahia, 26% dos novos usuários de drogas, em 2006, entre a população de rua, consumiam crack; no ano passado, foram 37,8%.

Com relação ao Rio, entrevistas feitas pelo Instituto de Psiquiatria da UFRJ com viciados constataram que em março de 2007 uma parcela de apenas 15% havia consumido crack; em junho do ano seguinte, a proporção já subira para 25%.

Essa espécie de epidemia - de rápida expansão por ser uma droga barata - testa a capacidade de o poder público, junto com organizações do terceiro setor, manejar um grave problema de saúde pública, mas também com aspectos de segurança pública.

O perigo, como ocorre na questão das drogas em geral, é o Estado criminalizar o usuário. Mais ainda o dependente de crack, rapidamente jogado na sarjeta pela droga. Há intensa discussão sobre a descriminalização do viciado, em certa medida contemplada na legislação. O princípio precisa ser aplicado com eficiência nesta epidemia de crack, antes que pessoas já marginalizadas sejam trancafiadas e fiquem sem qualquer chance de recuperação.


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